terça-feira, 30 de agosto de 2011

Tecnólogos de RH graduados em dois anos enfrentam mercado que exige faculdades de renome no currículo

Por Carla França

Em 2001, as graduações de dois anos foram autorizadas pelo Ministério da Educação e, desde então, os cursos de gestão em Recursos Humanos vêm sendo um dos mais procurados nas faculdades que investem nesse modelo de curso, ao lado do de Logística, cujo setor, em expansão, têm demanda crescente por profissionais.

Com 30 anos de experiência, acumulada em cursos técnicos e, hoje mantendo cursos para a formação de tecnólogos – como são chamados os graduados em cursos de dois anos -, a Faculdade de Tecnologia das Américas oferece cursos na área de gestão em Recursos Humanos com 1.600 horas de carga horária, disponibilizando um corpo docente que privilegia profissionais atuantes e com vivência no mercado de trabalho.

De acordo com Natalício Cândido da Silva, coordenador da Área de Gestão, que obteve conceito máximo (5,0) no reconhecimento do Curso de Gestão em Recursos Humanos, pelo MEC, o mercado, num primeiro momento, depreciou os profissionais graduados em dois anos por faculdades “de menor nome e prestígio”. “Hoje, até a PUC está investindo nesses cursos”, afirma.

Normalmente, o profissional de RH é originário de faculdades de Administração ou Psicologia que ministram cursos considerados de caráter genéricos, para, após a graduação, buscar especialização ou novas qualificações em outras áreas, muitas vezes por intermédio de uma pós-graduação. Na verdade, conforme explica Natalício, os cursos para formar os chamados tecnólogos são focados nas necessidades e expectativas do mercado de trabalho, e nas competências e habilidades desenvolvidas nas atribuições diárias do profissional.


Quase sempre a sua oferta é precedida de ampla e efetiva pesquisa de mercado.

“Esses cursos recebem a preferência de profissionais que já atuam no mercado, mas não são possuidores de diploma de curso superior, e/ou de pessoas que precisam ingressar rapidamente no mercado de trabalho e não dispõem de tempo e recursos materiais suficientes para um curso de quatro anos”, explica o coordenador. “Porém, é inquestionável, independentemente da sua motivação, a consciência de que, hoje, para manter a empregabilidade, o profissional deverá estudar a vida inteira, buscando aprimoramento ou novas qualificações. O curso de tecnólogo caracteriza uma porta de entrada, por meio da qual podemos divisar múltiplos e diferentes caminhos.”

Veja o caso de Jean Cláudio Paschualino, de 31 anos, formado em dezembro de 2005, pela Faculdade de Tecnologia das Américas. Trabalhando há mais de dez anos no setor financeiro de um banco, passou a ser, continuamente, cobrado e ameaçado de dispensa pelo fato de não possuir um diploma de curso superior. “Havia começado quatro diferentes faculdades, mas, por falta de tempo, nunca consegui terminar nenhuma”, conta.

Foi quando decidiu por uma graduação de dois anos na área de Recursos Humanos, logrando, antes mesmo de concluir o curso, um novo emprego no departamento pessoal de uma loja de tecidos, em São Paulo. “Não tive maiores problemas para conseguir esta colocação”, afirma. “No curso, em vez de estudar matérias que eu nunca usarei, recebi conteúdos pertinentes a minha função e realmente importantes para a minha profissão”, avalia. “Isso estimulou a tomada de decisão de buscar aprimoramento profissional e novas qualificações, uma vez formado, por meio de curso de pós-graduação na mesma área e na mesma Faculdade.”

A Uniban passou a oferecer o curso de Gestão de Pessoas no início de 2006, e deverá formar, em dois anos, cerca de 300 gestores. Embora o foco não seja especificamente a área de RH, ela reconhece que este setor vem absorvendo a maioria dos alunos. “O mercado está mudando: há muito desemprego, mas também elevada disponibilidade de vagas que não são preenchidas por falta de um mínimo de qualificação. O que é melhor, formar profissionais em dois anos, ou não formar ninguém em quatro?”, afirma Sebastian Alfonso Garcia Abde, consultor organizacional e professor de Gestão de Pessoas da Uniban. “Esses cursos não constituem novidades, ainda que, durante algum tempo, caíram num vazio. Hoje, no entanto, na minha opinião, é a salvação para o País.”

À parte das cobiçadas vagas nas grandes multinacionais, há um mercado em expansão, formado pelas pequenas e médias empresas, que vem atraindo essa mão-de-obra especializada. “E nós preparamos nossos alunos para o mercado específico”, explica Abde. “E como hoje ninguém fica parado no mesmo emprego por muito tempo, se o profissional mudar de área, ele poderá buscar outra graduação, em dois anos, para obter novos conhecimentos.”

E os empregadores, o que acham?


Do lado do empregador, Ricardo Ezar, analista de Recursos Humanos do Unibanco, com 150 profissionais na área para atender seus 30 mil colaboradores, afirma que não há restrições na contratação de profissionais graduados em dois anos para a área, mas, segundo ele, o mercado prefere profissionais generalistas, com visão global do negócio, e não especialista em um tema específico.

“Não existe uma formação fechada para trabalhar na área de RH, mas profissionais graduados, num tema específico, acabam por restringir o leque de possibilidades de atuação”, diz Ezar. “O conhecimento técnico, hoje, já não faz a diferença.”

Para Marta Misina, gerente de RH do Zambon Laboratórios Farmacêuticos, que conta com seis profissionais para atender seus 190 funcionários, sempre houve uma tendência em privilegiar a experiência e não necessariamente a formação do profissional de RH.

Marta faz coro à afirmação do colega do Unibanco. “A área está carente de profissionais com boa formação, inclusive no domínio de idiomas: o profissional de RH precisa modernizar-se, sentir-se no palco do mundo corporativo e não somente nos bastidores”, acredita. Para ela, faltam profissionais inovadores, com alta capacidade de implementação, para criar produtos que sirvam às pessoas, e que se antecipem às suas necessidade. Tal observação converge com a tendência em se levar um pouco, para a área de RH, importantes conceitos de marketing e venda. Assim começa-se a falar num RH estratégico que possa contribuir de fato com o negócio.

A experiência, segundo Marta, continua em alta, mas diante de equipes cada vez mais reduzidas, a demanda é por profissionais que assumam todas as atividades da função de forma plena e imediata, ou seja, que tenham know-how suficiente para “entrar fazendo”.

Para isso, conforme explica a gestora, dois quesitos são determinantes: tempo na função e formação acadêmica compatível com as demandas, e ainda um terceiro fator de avaliação: capacidade já instalada ou potencial a ser desenvolvido, para transitar e entender as outras funções, visto que todos os sub-processos de RH são interligados.

É sabido que a formação acadêmica traz um pouco da história de vida do profissional. “É inegável que uma boa estrutura familiar, no âmbito financeiro, pode gerar melhores oportunidades para uma boa formação, que irá refletir diretamente nas oportunidades para melhores posições dentro do mundo corporativo”, explica Marta.


Assim, uma boa base acadêmica, chancelada por instituições reconhecidas, constitui, sem dúvida, fator competitivo, principalmente para o ingresso no mercado de trabalho. “Os editais de convocação para os programas estruturados de estagiários e de trainee das grandes organizações já funcionam como um fator de pré-recrutamento natural e durante o processo essa tônica é consolidada”, afirma. “Via de regra são selecionados os candidatos de instituições de primeira linha e que dominam no mínimo o idioma inglês”, afirma Marta.

Os cursos de dois anos, em geral, não são regras, conforme aponta a gerente do Zambom; são opções de profissionais que precisaram trabalhar muito cedo, em detrimento da realização de estudos. “Eles têm de correr atrás do prejuízo”, avalia. “Em alguns casos, no entanto, dependendo da área e da senioridade, é possível compor experiência com os cursos de dois anos”, conclui Marta.

O importante, de acordo com Ezar, do Unibanco, é olhar com carinho o currículo do candidato e, independentemente da sua formação, checar se há aptidão para encarar os desafios da empresa que, hoje, vem investindo em universidades corporativas a fim de atualizar os conhecimentos de seus profissionais. “No caso de graduações em dois anos, talvez seja necessário aplicar um olhar mais preciso e cuidadoso no currículo, ainda que o diploma de dois anos não seja considerado um empecilho”.

Texto recebido por e-mail, do colega Vinícius Duarte. Fonte de origem desconhecida.

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